Foram vendidas 500 casas por dia em 2018

O setor imobiliário fechou as portas à crise e deitou a chave fora. A compra de casas em Portugal está em alta e no ano passado voltou crescer entre 15% e 20%. Entre janeiro e dezembro de 2018, terão sido vendidas cerca de 180 mil casas, mais 25 mil do que no ano anterior.

O número é o mais elevado desde, pelo menos, 2009, ano a partir do qual estão disponíveis as séries do INE. A tendência bate certo com o aumento da concessão de crédito à habitação pelos bancos. Até novembro do ano passado, o financiamento da compra de casas atingiu os 8,9 mil milhões de euros, o valor mais elevado desde 2010.

As imobiliárias confirmam que as famílias portuguesas regressaram em força ao mercado, à boleia da recuperação da economia e da torneira aberta dos bancos. A JLL, por exemplo, vendeu 50 casas novas em Carnaxide em 48 horas a compradores portugueses.

Os estrangeiros compraram cerca de 35 mil casas em Portugal em 2018. Houve, no entanto, uma queda ligeira face a 2017, ano em que os compradores internacionais tomaram conta de 25% do mercado. “A percentagem não se deve ao decréscimo do investimento estrangeiro, mas ao aumento da representatividade do mercado interno”, explica Luís Lima, presidente da APEMIP.

“Cidadãos destes países têm apostado um pouco por todo o país e nota-se verdadeiramente uma descentralização do investimento para fora das principais cidades. Por outro lado, continua a haver uma manutenção das transações feitas por cidadãos britânicos, que preferem, tal como é tradicional, a região algarvia”, conta Luís Lima.

Em 2019 as imobiliárias preveem que as vendas continuem a aumentar, tal como os preços. Em novembro, a avaliação bancária das casas atingiu os 1215 euros por metro quadrado, o valor mais alto desde que há registo.

A APEMIP prefere, “pela primeira vez”, não avançar com previsões para 2019, porque é “difícil prever as flutuações deste mercado”, justifica Luís Lima. “O mercado imobiliário continua a ter todas as condições para continuar a crescer, e é o que acreditamos que aconteça, ainda que se possa assistir a uma ligeira desaceleração do crescimento, que também é natural. Por outro lado, o facto de este ser um ano de eleições deixa o mercado apreensivo, o que poderá ter algumas repercussões. De qualquer modo, se tudo se mantiver como está e se não forem tomadas nenhumas medidas que possam influenciar negativamente o bom momento deste setor, acredito que a rota de crescimento se mantenha”, conclui o presidente da APEMIP.